Vivo preso dentro de casa, desabafa professor que teve chikungunya

Vivo preso dentro de casa, desabafa professor que teve chikungunya

Até o começo de 2017, o professor de inglês Luciano Alencastro, de 34 anos, levava uma vida tranquila e saudável em sua cidade, Fortaleza, no Ceará. Ia para a faculdade de engenharia, a 7 km de casa,

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Até o começo de 2017, o professor de inglês Luciano Alencastro, de 34 anos, levava uma vida tranquila e saudável em sua cidade, Fortaleza, no Ceará. Ia para a faculdade de engenharia, a 7 km de casa, pedalando sua bicicleta, saía à noite com amigos para bares e festas e se divertia com sua coleção de videogames.

Mas tudo mudou no mês de abril, quando foi diagnosticado com chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do zika vírus.

– Eu não consigo fazer mais nada. Nem trabalhar, muito menos me divertir. Tudo por causa dessa doença. Não posso mais pedalar, não consigo ficar muito tempo em pé. Era muito ativo e hoje em dia vivo preso dentro de casa – lamenta Luciano, que chegou a ter depressão. – Tive até que procurar um psicólogo – acrescenta.

Os sintomas da doença, parecidos com os da dengue, incluem febre muito alta (mais de 40 graus), dores musculares e manchas vermelhas pelo corpo. Os médicos chegaram a acreditar em outro diagnóstico, mas o teste deu negativo.

– Como é uma doença nova, o tratamento ainda não é muito eficiente. Não tem um remédio específico para a chikungunya – explica o professor, que aponta as dores no corpo como o pior sintoma da doença. E elas duram até hoje.

No caso de Luciano, foi indicado um tratamento à base de corticoides para diminuir a dor. Eles resolveram o problema momentaneamente, mas após parar de tomar, a dor voltou mais forte, tomando as articulações e os nervos.

– Nem todo mundo que tem chikungunya tem neurite (lesão inflamatória nos nervos). Mas ela pode causar doenças até mais graves. Tenho inflamação nos nervos, no cotovelo, nos pés, nas pernas. É uma queimação, uma dormência horrível. É como se o sol estivesse batendo nas minhas pernas o tempo todo. Sinto também dores fortes na lombar. O tratamento é feito com remédios que resultaram em uma inflamação no fígado – comenta o cearense.

E não há previsão para ele se livrar dos efeitos da chikungunya em seu corpo, já que não há um tratamento específico para a doença. Ele convive também com os efeitos da medicação, como o ganho de peso: foram 15 quilos só neste ano.

– Os médicos pedem muita paciência, pois só conseguem tratar os sintomas. Ninguém sabe ainda o que acontece com o vírus e, assim, conseguir uma forma mais eficiente de tratamento – afirma Luciano.

O professor ainda se sente muito debilitado, mesmo nove meses depois do diagnóstico inicial, o que evidencia a gravidade da chikungunya. São dores nas pernas e nas costas, mesmo sentado ou deitado. Ele não consegue ficar muito tempo em pé e perdeu um semestre na faculdade por não conseguir frequentar as aulas.

– Recentemente, passei um dia inteiro na rua para resolver coisas no banco. Ao final, senti tanta dor que fiquei três dias de cama – desabafa.

O drama de Luciano virou exemplo de conscientização para a população. A história dele é contada na nova campanha do Ministério da Saúde, “Um mosquito pode prejudicar uma vida. E o combate começa por você”. O professor ressaltou a importância de se falar sobre a chikungunya.

– Eu não sabia muito sobre a doença e suas consequências. Achava que seria como a dengue, que já tive três vezes. O alerta é muito importante, a população tem que se ligar mais. Quando encontrar um acúmulo de lixo nas ruas, tem a obrigação de alertar as autoridades. Temos que fazer a prevenção – ensina.