Traficantes estão "zoando" o exército brasileiro

Traficantes estão "zoando" o exército brasileiro

Traficantes voltaram a instalar barreiras nos acessos à Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, horas depois de uma operação do Exército que tinha retirado os bloqueios. Crianças com uniforme escolar

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Traficantes voltaram a instalar barreiras nos acessos à Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, horas depois de uma operação do Exército que tinha retirado os bloqueios.

Crianças com uniforme escolar passavam nesta segunda-feira (5) por barricadas de concreto. O bloqueio marca o território dominado pelo tráfico.

No sábado (3), 1.400 militares estiveram no mesmo lugar, a Vila Kennedy, na Zona Oeste. Pela terceira vez em oito dias derrubaram barricadas na comunidade.

A equipe do Jornal Nacional recebeu denúncias: “assim que o Exército saiu, bandidos colocaram de volta os quebra-molas altíssimos. O inferno continua. Foi um processo enxuga gelo. Queremos paz”, diz um morador em uma mensagem.

Outra moradora escreveu: “Moradores receberam grande quantidade de cimento e dois caminhões de areia para recompor as barricadas”.

O Exército confirmou. Traficantes obrigam os próprios moradores a fazer o trabalho.

No domingo (4) policiais foram atacados na comunidade. No tiroteio, Waldir Vieira da Silva, de 66 anos, foi atingido na cabeça e morreu.

O decreto que autoriza o uso das Forças Armadas na segurança pública do Rio não prevê a ocupação de territórios. Por isso, moradores se perguntam até quando as tropas vão continuar sendo chamadas para remover barreiras que serão recolocadas minutos depois.

Para o Exército, a prioridade é limpar o terreno para que a polícia possa circular nas comunidades.

“Nós damos esse apoio até e continuaremos dando até que ela, que é um dos objetivos da intervenção, recupere a sua capacidade operacional e possa, por meio do patrulhamento ostensivo na área, se fazer mais presente e impedir essa recorrência, a recolocação dos obstáculos”, explicou o coronel Carlos Cinelli, porta-voz do comando conjunto das Operações.

Numa rede social, o comandante do Exército, general Villas Bôas, disse que compreende a ansiedade de todos que vivem a insegurança pública no Rio; que não fará promessas que não pode cumprir. Ofereceu muita dedicação e trabalho, e espera a cooperação dos diversos atores no que considera uma pesada missão.

O interventor, general Braga Netto, prometeu na semana passada recuperar a capacidade operacional das polícias.

Nesta segunda-feira (5), o site de notícias G1 informou que o Exército autorizou que a Polícia Civil utilize 15 fuzis, modelo AR-10, que tinham sido apreendidos numa operação no aeroporto do Rio.

“Nós estamos trabalhando no sentido de criar as condições para que a sensação de segurança seja restabelecida. E isso passa não somente pelas operações em forças - operações militares e policiais militares - mas também pela chegada do estado que, muitas vezes, por uma questão de domínio territorial das organizações criminosas, não acontece”, disse o coronel Carlos Cinelli.