Quem foi Sêneca?

Quem foi Sêneca?

“Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo

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“Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada.”

Sêneca nasceu em Córdoba, na Espanha, e viveu a maior parte da vida em Roma. Sêneca nasceu numa família ibérica poderosa que desde cedo o preparou para a política. Mas ele descobriu como a vida era insegura, até mesmo para uma aristocracia romana. Ele foi cronicamente doente, pela maior parte de sua vida, acometido por asma e surtos depressivos suicidas. E ser político de destaque era extramente perigoso, num império regido por ditadores romanos loucos como Calígula e Nero.

Depois de fazer um discurso brilhante que causou inveja ao imperador Calígula, Sêneca foi exilado de Roma e dizem que sua vida só foi poupada porque ele estava tão doente que Calígula achou que ele logo morreria. Na última década de sua vida, Sêneca voltou a Roma, tornou-se tutor do jovem imperador Nero, juntou uma fortuna como agiota e, por um tempo, foi um dos homens mais poderosos e abastados de Roma. Mas acabou se desentendendo com Nero, foi acusado de tramar contra ele e forçado a cometer suicídio.

Sêneca era membro do Estoicismo, escola que surgiu após a morte de Aristóteles, com Zenão de Cítio. O Estoicismo pregava o foco nas coisas que podemos mudar, e mais nada. Para os estoicos, por exemplo, o envelhecimento e a brevidade da vida eram inevitáveis. A única coisa coisa que poderíamos fazer, portanto seria aceitá-los.

Ele escreveu que “a filosofia molda e constrói a alma; ela organiza a vida, orienta nossa conduta, nos mostra o que devemos fazer e o que devemos deixar de fazer. Inúmeras coisas que acontecem a cada hora clamam por conselhos; e tal conselho deve ser buscado na filosofia”. Ele nunca montou uma escola de filosofia – foi criado como político e queria estar “no miolo das coisas”, segundo dizia.

A primeira pergunta que ele faz é: a raiva é gerenciável ? Podemos controlar nossas paixões, ou elas surgem involuntárias, irracionais e incontroláveis ? Nossas paixões certamente parecem fora do controle. Uma vez que tomam posse de nossos corpos, não conseguimos simplesmente apertar um interruptor em nossas cabeças e ficarmos perfeitamente calmos e racionais. Mas Sêneca insiste que há um momento, logo no começo de um episódio emocional, quando temos uma escolha. A raiva surge de um julgamento que fazemos sobre uma situação. Sêneca diz que o julgamento é tipicamente “Eu fui ferido por alguém, ou algo, e é apropriado que eu me vingue”.

Sêneca sugere as técnicas de curto e longo prazo para o gerenciamento da raiva. Dentre as de curto prazo, primeiro de tudo, saiba o que o incita: “Tomemos nota especificamente do que nos provoca”.

O estoico tenta ver o mundo como ele realmente é, em vez de exigir que ele se enquadre às suas expectativas. Eles praticam a lembrança de como o mundo é, e o que podemos encontrar nele. Sêneca escreve que a pessoa sábia “se assegura de que nada que irá lhe acontecer será inesperado. Pois olhando adiante, para o que pode acontecer, como se fosse, de fato, acontecer, vai abrandar os ataques de todos os males, que não trazem nada de imprevisto aos que estão preparados, mas chega como um golpe sério, aos que não demonstram preocupação e só esperam bençãos”

Os estoicos procuram ter uma visão límpida do mundo em que vivemos, de forma que seus golpes não são inesperados. Sêneca escreve que nós vivemos no reino do Destino, e “ele tem regras duras e inconquistáveis, e à sua mercê, nós suportaremos sofrimentos merecidos e não merecidos. Ele irá dissipar nossos corpos, por meios violentos e insultantes: alguns vão arder no fogo, alguns serão acorrentados, alguns ele lançará nus, ao mar revolto”.

Como bom estoico, o filósofo não contestou a sua condenação ao suicídio. Estava colocando em prática o princípio da ataraxia, um dos mais famosos conceitos da escola, que significa ausência de inquietação. A morte injusta era uma forma de provar que a única felicidade possível está na ausência do seu oposto: a dor.

“Não temos exatamente uma vida curta, mas deperdiçamos uma grande parte dela. A vida se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai.”

Fonte: Pensar Bem Viver Bem
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