Projeto Le Tour Du Monde viaja ao redor do mundo para criar música

Projeto Le Tour Du Monde viaja ao redor do mundo para criar música

A partir desta sexta-feira, 2, tem início a segunda “temporada” do Le Tour Du Monde, com o início da nova viagem, começada desta vez na IrlandaA cada processo de check-in no aeroporto, o casal Luca

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A partir desta sexta-feira, 2, tem início a segunda “temporada” do Le Tour Du Monde, com o início da nova viagem, começada desta vez na Irlanda

A cada processo de check-in no aeroporto, o casal Lucas Mayer e Iris Fuzaro avisa o pessoal atrás deles na fila para trocar de guichê. A passagem deles por ali costuma demorar. Por mais que levem consigo apenas duas mochilas, duas malas de mão e duas outras de 23 kg, o conteúdo delas normalmente leva um bom tempo para ser checado, principalmente na área de raio X.

ctv-bsc-dji 20170320 142325Lucas Mayer e Iris Fuzaro formam o Le Tour Du Monde Foto: Arquivo pessoal

São microfones, câmeras, lentes, tripés, drones, um homestudio – além dos instrumentos musicais comprados ao longo da viagem, que não podem ser despachados. “Sempre ficamos com pena de quem está atrás de nós nas filas”, escreve Iris, de Pequim, na China, onde seu projeto com Meyer está atualmente. “Até hoje, com um pouco de paciência, tem dado tudo certo.”

Ele é produtor musical (dono do selo DaFne Music), ela, videomaker. Quando se conheceram, compartilhavam a ideia de morar fora do País. Hoje, o fazem, em partes, com Le Tour Du Monde, um projeto musical e audiovisual de documentar as passagens dos dois por cidades como Nova York, Amsterdã, Berlim, Atenas e por aí vai. “Fomos escolhendo também pelo clima, estilos musicais do local e pelos aspectos interessantes das cidades e que sentíamos que nos inspiraria”, explica ela.

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Criado em 2015, Le Tour Du Monde saiu do papel. Com quatro meses de viagem, o casal visitou 11 cidades. Ao final do projeto, haviam gravado as faixas que compõem o disco de estreia, homônimo, lançado em 2017.

Ao mesmo tempo, eles abastecem o canal de YouTube – e redes sociais – com uma websérie sobre os pontos turísticos de cada localidade e as sagas para encontrar músicos locais com identidade sonora similar ao projeto e de um local para a gravação.

ctv-fpy-2017-09-10-125231Lucas Mayer e Iris Fuzaro formam o Le Tour Du Monde Foto: Arquivo pessoal

A partir desta sexta-feira, 2, tem início a segunda “temporada” do Le Tour Du Monde, com o início da nova viagem, começada desta vez na Irlanda – o vídeo da caça por buskers, como são chamados os músicos de rua existente aos montes em Dublin, pode ser assistido no site do Estado.

A nova viagem (e disco), além de Irlanda e China, passará por Islândia, Escócia, Coreia do Sul, Austrália, Egito e Vietnã. “A gente tem uma queda especial pela Ásia”, confessa.

As canções são registradas nas ruas, para capturar a essência de cada cidade, seus carros, movimentos de pés dos pedestres, som do mar ou do vento. Com isso, Le Tour du Monde propõe um teletransporte musical. E essa necessidade estética está diretamente ligado ao embrião do projeto antes mesmo de ele existir.

Mayer viajou certa vez ao Havaí, Iris ficou. Quando voltou, o rapaz entregou a ela uma música chamada Only, criada com um ukelelê havaiano. “Era possível ouvir o mar, os pássaros e todo o ambiente ao redor”, conta.

ctv-hq7-le-tour20Lucas Mayer e Iris Fuzaro formam o Le Tour Du Monde Foto: Arquivo pessoal

“Nunca gravamos em estúdios ou lugares isolados. O que a gente gosta é do som do ambiente, do som de verdade. Quando assistimos a um show, não ouvimos apenas o som da banda diretamente no nosso ouvido, a gente ouve o som do vento, das pessoas, dos passos, até mesmo o humming dos cabos dos microfones, etc. Isso tudo faz parte da experiência e não deveríamos ‘limpar’ isso de nossa gravação”, justifica ela.

Com um bilhete aéreo Around The World Ticket – cuja tradução é basicamente “passagem de volta ao mundo” –, o casal segue sua jornada. Desta vez, passarão 15 dias em cada cidade, em vez de uma semana, como na primeira viagem. “Mas aprendemos a desapegar das coisas. “Levamos apenas duas calças, e mais ou menos 7 trocas de roupas para cada um”. Além de todo o equipamento, é claro.