'Passei a noite olhando as notícias', diz refugiado sírio no Brasil após ataque

'Passei a noite olhando as notícias', diz refugiado sírio no Brasil após ataque

'Passei a noite olhando as notícias', diz refugiado sírio no Brasil após ataque dos EUA contra alvos em Damasco

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e de restaurante em Ribeirão Preto (SP), o sírio Mohamed Kazmduz, que há seis anos mora no Brasil, diz ter passado a noite anterior em claro acompanhando as notícias sobre o ataque lançado pelos EUA contra a Síria. Pelo Whatsapp, ele foi informado sobre a situação de amigos em Damasco, um dos alvos do bombardeio.

“Eu passei a noite na TV, olhando as notícias e conversando com o povo de lá. O povo de lá merece ser campeão de paciência porque eles levam tudo no sorriso. Eles não têm medo, eles têm confiança no Exército sírio”, diz Kazmduz, em tom de crítica ao ataque.

Segundo o governo norte-americano, a ofensiva conjunta com a França e o Reino Unido teve alvos relacionados a armas químicas na Síria, do regime de Bashar al-Assad. No Brasil, eram 22h quando o presidente Donald Trump anunciou a ação em pronunciamento na Casa Branca.

O bombardeio foi uma resposta ao suposto ataque químico contra a cidade de Duma no dia 7 de abril. O regime sírio nega o uso de armas químicas, que são proibidas por convenções da ONU.
Kazmduz deixou a Síria em 2011, no início da guerra civil, após terminar os estudos. Segundo ele, teria que se alistar no Exército, mas foi impedido pela família e enviado ao Brasil, onde um irmão já estava estabelecido.

Ao tomar conhecimento da ofensiva anunciada por Trump, o gerente diz ter duvidado sobre a veracidade, mas não demorou até que começasse a receber as primeiras mensagens de parentes e amigos. Por Whatsapp, um amigo enviou um vídeo do momento exato de uma explosão.

“Eles falaram que foi mais susto do que medo, eles não estavam esperando. O povo estava dormindo, eram quase 3h da madrugada. Eles não atacaram um ponto militar. O povo acordou assustado mesmo”, diz.

Segundo o gerente, as pessoas subiram nos telhados das casas e saíram às ruas para entender o que estava acontecendo.

“A gente sempre se sente mal por causa do que está acontecendo lá. O povo é amoroso, todo mundo gosta de todo mundo, todo mundo convive junto.”
Contra o bombardeio
O aposentado Elias Assad, que há quase cinco décadas vive no Brasil, diz que sente aliviado com o fato de os parentes estarem distante do centro dos bombardeios. De acordo com ele, da última vez que esteve na Síria, em 2010, o país estava em paz. Hoje, ele lamenta o estado de destruição das cidades.

Três irmãos de Assad ainda moram no país, a mais velha tem 95 anos. Ao olhar as fotos da família, ele diz ter convicção de que a guerra não é a melhor solução para o povo.

“Contra o bombardeio. O mundo inteiro contra. A bomba não escolhe aonde ela cai, vai matar. Pode ser criança, pode ser homem, pode ser mulher, soldado. Ela mata o que tem na frente, destruição total. Todos vocês devem ter visto na televisão o estrago que deu. Eles dizem indústria de armas químicas. Mas e as pessoas ao redor?”

O Exército sírio informou que a ação deixou três civis feridos após alguns mísseis que estavam indo para uma posição militar em Homs serem desviados de sua trajetória. O Pentágono, por sua vez, diz que não há vítimas.
ONU

O Conselho de Segurança da ONU rejeitou neste sábado (14) a resolução russa que pedia uma condenação dos ataques à Síria. A minuta da resolução proposta pela Rússia considerava que o ataque dos EUA e de aliados ao regime sírio representa uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Na resolução, a Rússia pedia ainda às três nações que orquestraram o ataque (França, Reino Unido e Estados Unidos) que evitassem no futuro o uso da força contra o regime de Bashar al-Assad.

Contudo, o pedido russo não vingou no Conselho de Segurança. Isso porque apenas a Rússia, a China e a Bolívia votaram a favor do projeto. Oito países votaram contra a proposta, enquanto quatro se abstiveram. As informações são da agência Efe e Reuters.
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